Juliano Cazarré: Não tenho problema em expor o corpo numa cena
Vadho Junyor - Expresso
Juliano Cazarré já está notando nas ruas a diferença do gari Adauto, seu personagem em “Avenida Brasil”, para Ismael, o cafajeste que viveu em "Insensato coração". Se na outra novela o público torcia o nariz para as safadezas do malandro que explorava uma mulher mais velha, agora a galera torce pelo boa-praça da trama das nove, que também tem um romance com uma mulher de mais idade. Mas sem interesse.
— Percebo que a ingenuidade e a sinceridade do personagem comovem o público, e isso faz com que as pessoas torçam por ele — diz o ator.
Analfabeto e pobre, Adauto não encontra problema em namorar Muricy (Eliane Giardini), que além de mais velha e com mais instrução, é rica. Juliano acha que estas diferenças podem ser um ponto contra o personagem. Mas também podem falar mais alto.
— Qualquer diferença, seja cultural, financeira ou de idade, pode interferir num relacionamento. Por outro lado, duas pessoas diferentes podem se amar muito e formar um belo casal, ao passo que pessoas parecidas, com interesses semelhantes, podem fracassar numa relação — acredita o ator, que tem 31 anos, é muito bem casado com a bióloga Letícia, e é pai de Vicente, de 2 anos e três meses.
O ator não vê problemas em expor o corpo, como em "Insensato coração", e em algumas cenas de "Avenida Brasil". Mas vê incômodo em certas ocasiões na rua.
— Expor o corpo numa cena não é problema. Ficar sem camisa numa cena com a Eliane Giardini, por exemplo, é tranquilo. O problema é que o ator acaba fazendo parte do imaginário sexual das pessoas. Por exemplo, eu vou à farmácia comprar um remédio e a atendente me fala: "Você é mais bonito pessoalmente". De onde ela tirou que pode falar assim comigo? Ela fala assim com todo mundo que entra na farmácia? Não! Mas ela se sente à vontade pra falar assim comigo, porque me viu sem camisa na TV — explica Juliano.
O ator conta que não foi um bom aluno na infância, mas na faculdade mandou ver:
— Só fui um bom estudante quando entrei na Universidade de Brasília, onde me formei em Artes Cênicas. Embora nunca tenha ficado de recuperação ou repetido série, na escola eu era um aluno mediano.